Eternidade

A eternidade é considerada um atributo próprio de Deus. Deus é eterno porque está fora do tempo, sem começo nem fim, sem mudança e sem sucessão. Ele é o mesmo sempre, e tudo está presente diante d’Ele. Santo Tomás de Aquino define a eternidade como “a posse total, perfeita e simultânea de uma vida interminável” (Suma Teológica, I, q.10, a.1). Isso significa que, para Deus, não existe passado ou futuro; tudo é presente.

Os teólogos católicos tradicionais distinguem três modos de duração: o tempo, o aevum e a eternidade. O tempo é o modo de duração das criaturas materiais, que vivem em sucessão de momentos (antes e depois). O aevum, ou aeviternidade, é o modo de duração dos anjos e das almas separadas; não é temporal, mas também não é a eternidade plena, pois permite certas mudanças acidentais (como novos atos de conhecimento). A eternidade, propriamente dita, é o modo de ser exclusivo de Deus, absolutamente imutável e fora de qualquer sucessão.

Em relação às almas humanas, após a morte e o juízo particular, cada alma entra em um estado fixo e imutável. As almas justas entram na visão de Deus, chamada visão beatífica, e participam da vida eterna. As almas que morrem em estado de condenação entram na separação eterna de Deus, que é o inferno. As almas que necessitam de purificação passam pelo purgatório, estado temporário que termina com a entrada no céu. Depois do juízo final, todas as almas reunidas a seus corpos ressuscitados participarão de uma eternidade imutável: os justos na felicidade eterna, os condenados na pena eterna.

A teologia católica tradicional afirma que tanto a bem-aventurança dos justos quanto a pena dos condenados são eternas, conforme as palavras de Cristo em Mateus 25,46: “E irão estes para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna.” Essa eternidade não significa uma sucessão infinita de tempo, mas a fixação definitiva do estado da alma, sem mudança e sem fim.

O tempo é o modo de duração das criaturas materiais; o aevum é o modo de duração dos seres espirituais criados; e a eternidade é o modo de ser de Deus. O homem, criado no tempo, é chamado a participar da eternidade divina por meio da graça e da visão de Deus.

a vida no Céu não é comparável à vida terrena. Ela não consiste em atividades materiais, trabalhos físicos ou lazer no sentido humano, mas na plena e perfeita união da alma com Deus — o chamado “estado de bem-aventurança” ou “visão beatífica”.

A essência da vida celeste é a posse de Deus. As almas veem a Deus “face a face”, isto é, conhecem a Sua essência diretamente, sem intermediários, e n’Ele encontram toda a verdade, a bondade e a felicidade que sempre desejaram. Santo Tomás de Aquino ensina que essa visão de Deus é o fim último do homem: a alma só alcança sua perfeição quando está unida a Deus, a fonte de todo o bem.

No Céu não há sofrimento, tristeza, erro ou cansaço. Não há necessidade de trabalho, porque tudo o que é necessário já está plenamente possuído. A felicidade é completa e permanente, sem medo de perda ou mudança. É uma alegria pura, constante e imutável. Essa alegria, porém, não é passiva: a alma está em contínuo ato de amor, adoração e contemplação de Deus. É uma vida ativa no sentido espiritual, não física.

Os santos participam da glória de Deus em diferentes graus, conforme o grau de caridade e fidelidade que tiveram nesta vida. Cada um é plenamente feliz, mas há uma diversidade de glórias, como estrelas que brilham com diferentes intensidades no mesmo céu. Isso é ensinado por São Paulo em 1 Coríntios 15,41: “Uma é a glória do sol, outra a glória da lua, e outra a glória das estrelas; e estrela difere de estrela em glória.”

Embora não haja trabalho nem lazer como conhecemos, os teólogos dizem que há uma espécie de “atividade espiritual”: os bem-aventurados se comunicam, conhecem e amam uns aos outros em Deus, participam da comunhão dos santos e louvam a Deus eternamente. Essa vida é totalmente ordenada, harmoniosa e pacífica. Há uma comunhão perfeita entre todos, sem inveja, divisão ou conflito.

Após a ressurreição dos corpos, no fim dos tempos, os justos terão também seus corpos glorificados, livres de dor, doença ou limitação. Esses corpos participarão da glória da alma, e as bem-aventuranças incluirão uma dimensão sensível: uma perfeita harmonia entre corpo e alma. Mas mesmo assim, a fonte da felicidade continuará sendo a contemplação de Deus.

Portanto, a vida no Céu é uma vida de contemplação, amor e alegria perfeita em Deus, sem esforço, sem perda e sem tédio. É o repouso absoluto e, ao mesmo tempo, o mais pleno dinamismo do espírito, que encontra em Deus tudo o que sempre buscou.

You cannot copy content of this page